Acidentes de Trabalho: o que são, tipos e como preveni-los

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Todos os dias, trabalhadores saem de casa para cumprir sua jornada e alguns não voltam nas mesmas condições. 

Por trás de cada número nos registros do Ministério da Previdência Social, há uma pessoa afastada, uma família impactada, uma equipe que presenciou o acidente e carregará isso por um bom tempo.

Entre 2012 e 2024, o Brasil registrou mais de 8,8 milhões de acidentes de trabalho. Quase 32 mil resultaram em morte.

Além de colocarem vidas em risco, os acidentes laborais também geram afastamentos, queda de produtividade, aumento de custos operacionais, multas e passivos trabalhistas para as empresas.

Muitas organizações ainda tratam o tema apenas como obrigação legal. Mas a verdade é simples: prevenir acidentes de trabalho protege pessoas e fortalece o negócio.

Neste artigo, você vai descobrir:

  • O que são acidentes de trabalho
  • Quais os principais tipos
  • Os números da realidade brasileira
  • Quais os riscos ocupacionais envolvidos
  • Como o acidente impacta o FAP e o SAT da sua empresa
  • Como investigar corretamente um acidente
  • Como prevenir na prática
  • O papel da Promed nesse processo

O que são acidentes de trabalho?

ACIDENTE DE TRABALHO

Segundo o art. 19 da Lei nº 8.213/91, acidente de trabalho é toda ocorrência que acontece durante a atividade profissional ou em razão dela, causando lesão corporal, incapacidade temporária ou permanente ou, em casos mais graves, a morte do trabalhador.

Vale destacar que também entram nesse conceito situações que acontecem fora do ambiente físico da empresa, desde que estejam ligadas ao exercício da função, como o caso de um vendedor externo que se acidenta durante uma visita a um cliente.

Além disso, as doenças ocupacionais desenvolvidas ao longo do tempo por condições inadequadas de trabalho também se enquadram como acidentes de trabalho. 

É o caso de hérnia de disco em trabalhadores que carregam peso excessivo sem orientação ergonômica, perda auditiva por exposição prolongada a ruídos ou problemas respiratórios causados por exposição a agentes químicos sem proteção adequada.

Quais são os tipos de acidentes de trabalho?

Entender os tipos de acidentes de trabalho é o primeiro passo para preveni-los. De forma geral, eles se dividem em três categorias.

1️⃣ Acidentes típicos

São os acidentes que acontecem durante o horário de trabalho, no local de trabalho, durante a execução das atividades profissionais: cortes, quedas de altura, choques elétricos, queimaduras, colisões com máquinas e equipamentos, entre outros.

💡 Dado importante: em 2024, os acidentes típicos corresponderam a 74,3% do total de registros no Brasil, o tipo mais comum, e também o mais prevenível.

2️⃣ Acidentes de trajeto (in itinere)

São os acidentes que acontecem durante o deslocamento do trabalhador entre a residência e o local de trabalho, como quedas de bicicleta, colisões no trânsito ou torções ao desembarcar do transporte público.

Mesmo ocorrendo fora da empresa, esse tipo de acidente é classificado como acidente de trabalho e gera os mesmos desdobramentos legais e previdenciários.

3️⃣ Doenças ocupacionais

As doenças ocupacionais, também chamadas de acidentes atípicos, são as enfermidades que surgem ou se agravam em decorrência da atividade exercida pelo trabalhador.

Exemplos comuns:

  • perda auditiva induzida por ruído (PAIR)
  • lesões por esforço repetitivo (LER/DORT)
  • doenças respiratórias por exposição a poeiras e substâncias químicas
  • Transtornos mentais relacionados ao trabalho, como o burnout, que passa a integrar formalmente a NR-01 como risco psicossocial a partir de maio de 2026.

Saiba tudo sobre a NR-01 neste guia.

Os números de acidentes laborais no Brasil assustam

Não há como minimizar: os dados são preocupantes. O Brasil registra centenas de milhares de acidentes de trabalho todo ano, e os números só reforçam que o tema exige atenção permanente das empresas, independentemente do porte ou setor.

De acordo com o SmartLab, entre 2012 e 2024:

  • 8.824.286 acidentes registrados
  • 31.981 acidentes com resultado de morte
  • 573.797.179 dias de trabalho perdidos

Só em 2024, foram 742,2 mil notificações de acidentes em todo o país. Os estados com maior número de ocorrências são São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Entre os setores mais afetados estão: atendimento hospitalar, comércio varejista de produtos alimentícios e transporte rodoviário de carga. 

Setores que, não por acaso, concentram grande volume de trabalhadores e alta exposição a riscos físicos e operacionais.

Os 5 acidentes típicos mais comuns em 2024

De acordo com o SmartLab, os registros mais frequentes no ano foram:

RANKING DOS 5 ACIDENTES DE TRABALHO TÍPICOS MAIS COMUNS EM 2024. DADOS DA SMARTLAB

Esses dados reforçam a importância do uso correto dos EPIs e de treinamentos contínuos para capacitar as equipes.

O impacto dos acidentes de trabalho no FAP e no SAT

Muitas empresas não percebem que os acidentes de trabalho têm consequências financeiras diretas e recorrentes, que aparecem todo mês na folha de pagamento.  Dois mecanismos estão no centro disso: o SAT e o FAP.

Seguro Acidente de Trabalho (SAT)

O SAT é uma contribuição previdenciária paga mensalmente sobre a folha de pagamento. Sua alíquota varia conforme o grau de risco da atividade econômica da empresa:

  • 1% para atividades de risco leve
  • 2% para atividades de risco médio
  • 3% para atividades de risco grave

Parece pouco? Para uma empresa com folha de R$ 500 mil mensais, a diferença entre as alíquotas representa até R$ 15 mil por mês ou R$ 180 mil por ano.

Fator Acidentário de Prevenção (FAP)

O FAP é um multiplicador aplicado sobre a alíquota do SAT. 

Ele é calculado anualmente pelo Ministério da Previdência com base no histórico de acidentes e doenças ocupacionais da empresa nos dois anos anteriores.

O FAP pode variar entre 0,5 e 2,0:

  • Empresas com bom desempenho em SST recebem um FAP redutor, podendo pagar até metade da alíquota do SAT.
  • Empresas com alto índice de acidentes recebem um FAP penalizador, podendo pagar até o dobro da alíquota.

Na prática: cada acidente notificado ao INSS entra no cálculo do FAP do ano seguinte. Quanto mais acidentes, pior o índice. E, consequentemente, maior a carga tributária sobre a folha, de forma permanente, enquanto o histórico não melhorar.

💡 Investir em prevenção, portanto, não é apenas uma questão de cuidado com as pessoas. É também uma decisão financeira inteligente.

Quanto custa não prevenir?

Além do impacto no FAP e no SAT, os acidentes de trabalho geram uma cadeia de custos que muitas empresas só contabilizam depois que o problema acontece.

Afastamentos e substituições 

A partir do 16º dia de afastamento, o INSS assume o benefício previdenciário, mas os custos operacionais permanecem. A empresa ainda precisa substituir o trabalhador, treinar o substituto e absorver a queda de produtividade no período de adaptação.

Ações trabalhistas e indenizações 

Acidentes com nexo causal comprovado abrem espaço para ações de indenização por danos morais, materiais e pensão vitalícia.

Autuações do Ministério do Trabalho 

Fiscalizações motivadas por acidentes frequentemente resultam em infrações por descumprimento de NRs. 

As multas variam conforme a gravidade e o porte, e também são agravadas em caso de reincidência.

Clima organizacional 

Equipes que presenciam acidentes ficam abaladas. A sensação de insegurança reduz o engajamento e aumenta o absenteísmo. 

Passo a passo: como prevenir acidentes de trabalho na prática?

A prevenção começa com gestão. Algumas atitudes podem ser tomadas e facilmente implementadas na empresa. 

1. Treinamentos periódicos com a equipe

Treinar não é um evento pontual. Ele deve ser um processo contínuo, que reduz erros operacionais, aumenta a percepção de risco e fortalece a cultura de segurança dentro da empresa.

Os treinamentos devem ser planejados de acordo com a função e o setor, registrados formalmente e reciclados com frequência definida. 

Por exemplo, capacitações em NRs específicas, uso correto de EPIs, procedimentos de emergência e primeiros socorros são pontos de partida fundamentais.

Os clientes Promed contam com treinamentos periódicos, cuidadosamente selecionados de acordo com a área de atuação da empresa.

Confira alguns dos treinamentos disponíveis na Plataforma Promed.

2. Uso correto de EPIs

epi deve ser usado no ambiente de trabalho para evitar acidentes

Além de fornecer o EPI, a empresa tem a obrigação legal de garantir que o equipamento esteja sendo utilizado da forma correta. Isso exige capacitação, orientação e fiscalização.

Cada tipo de risco exige um EPI específico. No caso das luvas, por exemplo, a escolha errada pode ser tão perigosa quanto não usar nenhuma. 

Por exemplo, enquanto as luvas de látex são recomendadas para o manuseio de produtos químicos de baixa agressividade e procedimentos em saúde, as luvas de PVC são indicadas para contato com substâncias corrosivas. 

3. Gestão de Riscos e CIPA

O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), exigido pela NR-01, é o documento central da gestão preventiva em SST. 

Ele mapeia os riscos presentes na operação, avalia sua severidade e define as medidas de controle necessárias. 

Já a CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), exigida pela NR-05, aproxima trabalhadores e gestores na identificação de riscos e na promoção de uma cultura preventiva do dia a dia. 

4. Cumprimento das NRs

As Normas Regulamentadoras estabelecem os requisitos mínimos de segurança para cada tipo de atividade. Não são sugestões, as NRs são obrigações legais. 

Descumpri-las expõe a empresa a autuações, embargos e ações trabalhistas. As mais relevantes para a maioria das empresas são:

  • NR-01: gerenciamento de riscos ocupacionais, incluindo riscos psicossociais a partir de maio de 2025
  • NR-05: CIPA
  • NR-06: EPIs
  • NR-07: PCMSO – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
  • NR-09: avaliação e controle de riscos ambientais
  • NR-17: ergonomia

Cumprir as NRs com consistência não é só evitar multa. É construir uma base sólida de proteção para as pessoas e para o negócio.

5. Documentação sempre atualizada

PGR, PCMSO, LTCAT, laudos técnicos e registros de treinamento precisam refletir a realidade atual da operação. Documentação vencida ou genérica não protege a empresa em fiscalizações ou ações trabalhistas… E o mais importante:  não protege o trabalhador.

6. Liderança preparada e inspeções regulares

A prevenção precisa estar presente no cotidiano e isso começa na liderança. Quando gestores tratam a prevenção como prioridade, esse cuidado se reflete no dia a dia da empresa, nas atitudes das equipes e na forma como os riscos são percebidos e enfrentados.

Além disso, as auditorias e verificações periódicas ajudam a identificar falhas antes que virem acidentes. 

O papel da Promed na prevenção de acidentes de trabalho

Na Promed, atuamos de forma preventiva em Saúde e Segurança do Trabalho. 

Nosso papel é ajudar empresas a antecipar riscos, organizar processos e fortalecer a operação justamente para que os problemas não aconteçam.

Apoiamos empresas com:

  • Elaboração e atualização do PGR
  • PCMSO e programas obrigatórios
  • Laudos técnicos
  • Treinamentos de NRs
  • Ergonomia (NR-17)
  • Adequação à NR-01 e gestão de riscos psicossociais
  • Gestão documental
  • Apoio em eSocial SST

Mais do que cumprir normas, ajudamos empresas a construir ambientes mais seguros, produtivos e sustentáveis. Porque acreditamos que cuidar das pessoas não é a nossa obrigação, mas a nossa vocação. 

E quando as pessoas estão protegidas, o negócio prospera naturalmente.

Fale com a Promed e descubra como podemos ajudar sua operação a prevenir acidentes e atuar em conformidade.

FALAR COM A PROMED!